A NATUREZA DA FE BIBLICA

>> segunda-feira, 27 de maio de 2013

Por J. I. Packer

Em primeiro lugar, o que é fé? Vamos aclarar a questão. A idéia popular a respeito é que se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Diz a Sra. A. à Sra. B.: "Você precisa ter fé". Mas, tudo quanto ela quer dizer é: "Coragem, não desanime se as coisas vão mal". Isso, porém, é apenas a forma da fé, sem seu conteúdo vital. Uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.

Em contraste, a noção histórica da Igreja Católica Romana acerca da fé tem sido de mera confiança e docilidade. Para Roma, a fé é apenas a crença naquilo que a Igreja Romana ensina. De fato, Roma distingue entre fé "explícita" (a crença em algo que foi compreendido) e fé "implícita" (o assentimento incompreensível de qualquer coisa, seja o que for que a Igreja Romana assevere). A Igreja Romana diz que somente esse último tipo de fé, que na realidade é apenas um voto de confiança no ensino da igreja e que pode manifestar-se lado a lado com a total ignorância da doutrina cristã, é requerido dos leigos para a sua salvação! E evidente que a fé, na concepção da Igreja Romana, quando muito, é apenas o conteúdo da fé, sem sua forma apropriada; pois conhecimento, pouco ou muito, divorciado de qualquer correspondente exercício de confiança, não é a fé, no total sentido bíblico. O exercício da confiança é precisamente o que se faz ausente na análise da Igreja Romana. Segundo Roma, fé consiste em confiar nos ensinos da igreja. Mas, de acordo com a Bíblia, fé significa confiar em Cristo como Salvador, e isso é algo totalmente diferente.

Na Bíblia, ter fé ou crer (no grego, o substantivo é pistis; o verbo é pisteuõ) envolve tanto confiança como entrega da vida. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22, 26), as promessas de Deus (Rm 4.20), o caráter de Jesus como Messias e Salvador (1 Jo 5.1), a realidade da ressurreição (Rm 10.9), o evangelho (Mc 1.15) e o testemunho dos apóstolos (2 Ts 1.10).

A natureza da fé, porém, é invariável. É uma apreensão responsiva de Deus e de sua verdade salvadora; é um reconhecimento da resposta dada por Deus à necessidade humana, que doutro modo jamais seria atendida; é a compreensão de que o evangelho é a mensagem pessoal de Deus, bem como o convite pessoal de Cristo ao seu ouvinte; é o mover-se confiante da alma em direção ao Deus vivo e ao seu Filho.

Isso se torna claro através da mais comum das construções gramaticais no Novo Testamento grego — o verbo pisteuo com a preposição eis, ou, ocasionalmente, com a preposição epi, com o objeto direto no acusativo — cujo significado é "confiar para dentro de" ou "confiar sobre". Esta construção jamais aparece no grego clássico e raramente na Septuaginta. Trata-se de uma nova expressão idiomática, desenvolvida no Novo Testamento, para expressar a idéia de um movimento de confiança que se dirige ao objeto da confiança e que descansa no mesmo.

Esse é o conceito bíblico e cristão de fé. Os reformadores frisaram esse conceito, afirmando que a fé não é apenas fides (crença), mas também fiducia (confiança). Nas palavras do bispo Ryle:

A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. Isso é fé (Hb 6.18).

A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que está à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para Ele e é curado. Isso é fé (Jo3.14, 15).

A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como o pão da vida e o remédio universal. Ele O recebe e fica bem de saúde e forte. Isso é fé (Jo. 6.35).

A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O Senhor Jesus lhe é apre¬sentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para Ele e fica em segurança. Isso é fé (Pv 18.10)". {Old Paths — Caminhos Antigos — pp. 228 e 229).

Por todo o Novo Testamento, de fato, esse é o conceito normal de fé. As únicas exceções são as seguintes:

1. Algumas vezes, "fé" exprime o conjunto das verdades em que cremos (Jd 3 e 1 Tm 4.1, 6, etc).

2. Algumas vezes, "fé" significa um mais estrito exercício de confiança, que opera milagres (Mt 17.20, 21; 1 Co 13.2). Mesmo nos dias do Novo Testamento, porém, a fé salvadora nem sempre era acompanhada pela "fé que opera milagres" (cf. 1 Co 12.9) e vice-versa (cf. Mt 7.22, 23).

3. Em Tiago 2.14-26, "fé" e "crer" denotam mero assentimento intelectual à verdade, sem a correspondente resposta de uma vida de obediência confiante. Mas, parece que Tiago estava simplesmente imitando o uso da palavra "fé" daqueles a quem procurava corrigir (cf. v. 14), e não precisamos supor que ele normalmente a usasse em um sentido tão limitado (por exemplo, a sua alusão à fé, no verso 5, claramente envolve um sentido muito mais amplo).

Read more...

O SOFRIMENTO E A GLORIA DE DEUS

 
Por R. C. Sproul

Certa vez visitei uma mulher que estava morrendo de câncer uterino. Ela estava em grande angústia, mas não apenas por seu incômodo físico. Ela me explicou que ela havia feito um aborto quando moça e estava convencida de que sua doença era uma direta consequência daquilo. Resumindo, ela acredita que o câncer era o julgamento de Deus sobre ela.

A resposta pastoral comum a tal questão agonizante de alguém em seu leito de morte é dizer que a aflição não é um julgamento de Deus pelo pecado. Mas eu tive de ser honesto, então eu disse a ela que não sabia. Talvez fosse julgamento de Deus, mas talvez não fosse. Eu não posso sondar o conselho secreto de Deus ou ler a mão invisível de sua providência, então eu não sabia o motivo de seu sofrimento. Eu sabia, contudo, que qualquer que fosse a razão para aquilo, havia uma resposta para a culpa dela. Nós falamos sobre a misericórdia de Cristo e da cruz e ela morreu na fé.

A pergunta que aquela mulher levantou é feita todos os dias por pessoas que estão sofrendo aflições. Ela é abordada em uma das passagens mais difíceis do Novo Testamento. Em João 9, nós lemos: "Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: 'Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?' Respondeu Jesus: 'Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus'" (vv. 1-3).

Por que os discípulos de Jesus supuseram que a causa raiz da cegueira daquele homem era seu pecado ou o pecado de seus pais? Eles certamente tinham alguma base para essa hipótese, pois as Escrituras, dos registros da queda em diante, deixam claro que a razão pela qual o sofrimento, a doença e a morte existem neste mundo é o pecado. Os discípulos estavam corretos de que de alguma maneira o pecado estava envolvido na aflição daquele homem. Também, há exemplos na Bíblia de Deus causando aflição por causa de pecados específicos. No Israel antigo, Deus afligiu a irmã de Moisés, Miriã, com lepra porque ela questionou o papel de Moisés como porta-voz de Deus (Números 12:1-10). Igualmente, Deus tomou a vida do filho nascido a Bate-Seba como resultado do pecado de Davi (2 Samuel 12:14-18). A criança foi punida, não por causa de algo que a criança fez, mas como resultado direto do julgamento de Deus sobre Davi.

Contudo, os discípulos cometeram o erro de particularizar o relacionamento geral entre o pecado e o sofrimento. Eles assumiram que havia uma correspondência direta entre o pecado do homem cego e sua aflição. Eles não leram o livro de Jó, que trata de um homem que era inocente, e ainda assim foi severamente afligido por Deus? Os discípulos erraram em reduzir as opções a duas quando havia outra alternativa. Eles fizeram sua pergunta a Jesus de uma maneira "ou isso, ou aquilo", cometendo a falácia lógica do falso dilema, assumindo que o pecado do homem ou o pecado dos pais do homem eram a causa de sua cegueira.

Os discípulos também parecem ter assumido que qualquer um que tem uma aflição sofre em direta proporção ao pecado que foi cometido. Novamente, o livro de Jó risca essa conclusão, pois o grau de sofrimento que Jó foi chamado a suportar era astronômico comparado com o sofrimento e aflições de outros muito mais culpados do que ele era.

Nunca devemos pular para a conclusão de que uma incidência específica de sofrimento é uma resposta direta ou está em direta correspondência ao pecado específico de uma pessoa. A história do homem que nasceu cego deixa isso claro.

Nosso Senhor respondeu a pergunta dos discípulos corrigindo sua falsa suposição de que a cegueira do homem era uma direta consequência do pecado dele mesmo ou de seus pais. Ele lhes assegurou que o homem nasceu cego não porque Deus estava punindo ao homem ou a seus pais. Havia outra razão. E por haver outra razão neste caso, pode sempre haver outra razão para as aflições que Deus nos chama a suportar.

Jesus respondeu a seus discípulos dizendo: "Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus" (v. 3). O que ele quis dizer? De uma maneira mais simples, Jesus disse que o homem nasceu cego para que Jesus o pudesse curar no tempo designado, como testemunho do poder e da divindade de Jesus. Nosso Senhor demonstrou sua identidade como o Salvador e o Filho de Deus nessa cura.

Quando sofremos, devemos confiar que Deus sabe o que está fazendo, e que ele trabalha em e através da dor e das aflições de seu povo para sua própria glória e a santificação de seu povo. É difícil suportar sofrimento prolongado, mas a dificuldade é grandemente aliviada quando ouvimos nosso Senhor explicando o mistério no caso do homem nascido cego, que Deus chamou para muitos anos de dor para a glória de Jesus.

Fonte: Editora Fiel

Read more...

IGREJA - Corpo e Familia

>> segunda-feira, 6 de maio de 2013

Há muito que se busca um retorno à essência e à prática da igreja original tal qual se vê nas Escrituras. O maior problema nessa busca é que nascemos e desenvolvemos todo o nosso pensamento sob a influência do fruto do conhecimento do bem e do mal – inclusive sobre o que vem a ser igreja. Habituamo-nos a conceber a igreja a partir de conceitos objetivos, e é com essa mentalidade que buscamos entendê-la na Bíblia, especialmente no livro de Atos dos Apóstolos e nas epístolas. Por sermos movidos pela objetividade, é evidente que os resultados da nossa busca também são objetivos – e ficamos presos ao modelo que ali descobrimos, dentro do qual tentamos adequar tudo de forma bem rígida.
Para evitar esse processo negativo, devemos substituir nossa premissa, trocando a busca de um modelo objetivo de igreja por uma compreensão subjetiva dos ensinamentos de Jesus. A nova premissa seria que a igreja não foi resultado de um modelo institucional, mas do estilo de vida ensinado por Jesus e potencializado pelo Espírito Santo. É impossível descobrir como se originou a igreja se só a examinarmos depois de constituída. Caso a queiramos compreender, teremos de observar seus antecedentes, onde se fincaram suas bases. Enquanto o livro de Atos e as Epístolas falam abundantemente sobre a igreja em ação, é nos evangelhos que encontramos seus fundamentos.
Embora a igreja já estivesse claramente planejada na mente divina, era difícil explicar algo que ainda não viera à luz. Por isso Jesus falou tão pouco sobre a igreja ao mesmo tempo em que estava estabelecendo suas bases. No Velho Testamento, observamos que Davi recebeu o projeto da casa de Deus, mas a construção do templo ficou para seu filho Salomão. Da mesma forma, foi Jesus que trouxe a planta da igreja apesar de ter deixado para o Espírito Santo executá-la. Se quisermos compreender o projeto, agora que a casa está em ruínas (ou edificada de acordo com outra planta), teremos de voltar a Jesus, isto é, aos evangelhos.
Antes de se estabelecer um modelo, é preciso conhecer o projeto. Por isso não temos a pretensão de falar diretamente sobre a igreja, mas sobre coisas anteriores a ela, dentre as quais casa, família e comunhão.

O SONHO DE DEUS: CASA PRÓPRIA
Não consta que Adão e Eva tivessem uma casa como moradia no Jardim do Éden. O modelo que conhecemos agora é posterior ao pecado, necessário ao conforto e à proteção contra eventuais intempéries. Foi com esse tipo de pensamento que Davi se propôs a construir uma casa para o Senhor, plano que, inicialmente, foi recusado.
Por que, pergunta-se, Deus rejeitaria algo que pretendia aceitar? Talvez porque era necessário corrigir os conceitos de Davi, mostrando-lhe que a casa a ser construída não seria para Deus e, sim, para ele mesmo. Basta, no entanto, notar como os conceitos de Davi e de Deus eram diferentes. Davi, constrangido por morar numa casa luxuosa enquanto a arca do Senhor abrigava-se numa tenda, pretendia erguer um edifício – uma obra de engenharia que proporcionasse conforto e proteção. Deus, por outro lado, pensava em família quando se referia à casa que construiria para Davi, com projeção para a eternidade.
Vemos, aqui, que casa e família são termos que se fundem conceitualmente; um sem o outro perde sentido. Davi pensava em dar um endereço a Deus ao passo que Deus preferia que este endereço fosse a família de Davi. Embora o templo estivesse localizado no Monte Moriá, faz-se referência a Sião, onde estava a casa de Davi, como morada do Senhor (Sl 9.11; 76.2; 123.13).

TODOS TÊM DIREITO À FAMÍLIA
“Deus faz que o solitário more em família…” (Sl 68.6). Penso que seja um menosprezo reduzir este versículo apenas ao plano natural. Deus concebeu a humanidade a partir da família. Se não fosse o sistema de procriação, que nos diferencia completamente dos anjos, não haveria a possibilidade de a encarnação de Jesus acontecer. Portanto, a humanidade iniciou-se e perpetua-se pela família, e nem mesmo a vinda de Jesus desrespeitou tal maneira de Deus. Viver sem família é uma anomalia, e tentar cumprir o plano de Deus em outra base é uma aberração maior ainda.
Só para lembrar, Deus escreveu a história através da família: iniciou a humanidade com a família de Adão, preservou-a por meio da família de Noé, gerou a nação escolhida usando a família de Abraão, tirou o povo do Egito organizando-o em famílias e, da mesma maneira, constituiu a nação de Israel e reconstruiu Jerusalém depois do exílio babilônico.
Jesus nasceu numa família, e o derramamento do Espírito Santo, no dia do nascimento da igreja, foi interpretado como um dom à família (At 2.17,18), alcançando filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas, componentes típicos de uma família. É aqui também que se inicia o cumprimento da promessa feita a Abraão em sua dimensão universal: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3).
Um olhar míope sobre os ensinamentos de Jesus pode levar-nos a conclusões equivocadas sobre a consideração que ele tinha pela família. Frases como “Quem não deixar pai, mãe, irmão e irmã não é digno de mim” foram erroneamente interpretadas como aprovação para abandonar-se a família ou colocá-la em segundo plano. Na verdade, o que ele queria dizer era que a família, como todas as outras coisas, deve ser considerada por nós dentro da perspectiva divina e não como uma valoração pessoal e direta. As prostitutas e os publicanos, por exemplo, têm valor diferente quando vistos do ponto de vista de Deus. Embora tidos como escórias da sociedade, precederiam, segundo Jesus, os escribas e os fariseus no reino de Deus.

Quando Jesus foi chamado por sua mãe e seus irmãos, ele perguntou quem seriam estes e indicou como tais aqueles que fazem a vontade do Pai. Com isso, não pretendia desprezar mãe ou irmãos, mas sim elevar os discípulos a essa qualidade de familiares.

Também devemos considerar as inúmeras vezes em que Jesus recorreu à família para explicar questões do reino de Deus. Basta olhar as parábolas e verificar quão recorrentes são as figuras parentais ali utilizadas.

A PRIMEIRA GRANDE DIVISÃO: FAMÍLIA E IGREJA TORNAM-SE COISAS DISTINTAS
Quando chegamos à igreja já constituída, a família continua ocupando papel central. Na verdade, era difícil separar uma da outra. A finalidade da família era hospedar a igreja e servir como base operacional de suas ações, inclusive as missionárias.

Durante seus primeiros 150 anos, a igreja reuniu-se dentro do seio familiar. Depois disso, as famílias hospedeiras generosamente desocuparam as residências em favor da igreja para que esta as usasse no serviço religioso. Nos 150 anos posteriores, essas casas, com pequenas adaptações, continuaram a servir para o encontro da comunidade e as atividades afins. Em seguida, já no período de Constantino, a mãe deste, conhecida como Santa Helena, passou a patrocinar a construção das primeiras basílicas concebidas, desde o projeto, para o serviço religioso.

Durante a história eclesiástica, registraram-se muitas insurgências e desvios, sendo que a primeira grande divisão é considerada a secessão entre Roma e Constantinopla, e a segunda, a Reforma Protestante. Contudo, essas divisões foram de caráter institucional e vieram muito tempo depois da divisão mais fundamental e terrível de todas, que passou quase despercebida dos estudiosos e historiadores até hoje.

De forma sutil, mas com eficácia mortal, o inimigo começou sua estratégia divisionista em meados do segundo século, separando a família da igreja. A partir daí, a igreja começou a ser uma instituição distinta e, ao mesmo tempo, estranha à família. O que veio a seguir foi só uma questão de desenvolver-se como tal. O vírus da divisão já havia sido inoculado. Todas as igrejas nascidas depois disso trazem tal vício em seu projeto que tende sempre a repetir-se. Divisão gera divisão, e esta mãe é de uma fertilidade total!

É importante observar tal questão, pois uma igreja que não toma a família por base tem em si um vírus adormecido que se desperta e manifesta no momento que julga mais apropriado, ou seja, no momento em que as resistências do corpo encontram-se mais fragilizadas.

Hoje, tanto o termo igreja quanto o termo família estão profundamente distorcidos, sendo quase impossível ter um consenso coletivo e genuíno dos respectivos significados. Precisamos, porém, atentar para o fato de que Deus é o único que tem legitimidade para conceituar tanto um quanto o outro, pois o que o mundo mais deseja é deturpar a obra de Deus.

A COMUNHÃO COMO BASE DA RESTAURAÇÃO
Portanto, se pretendemos realmente ver a igreja restaurada, devemos procurar vê-la na condição mais próxima possível da original. Nesse sentido, temos de rever nossos conceitos, tais como o de Jesus ter falado muito pouco sobre igreja, pois a verdade é que ele muito falou, ensinou e fez acerca da igreja.

Tão importante foi o conhecimento vivencial do modelo de Jesus, que este se tornou um dos critérios para a escolha do sucessor de Judas entre os Doze. Ou seja, tiveram de achar alguém que compreendesse o projeto de Jesus em primeira mão, acompanhando-o desde o princípio (At 1.21,22).

Já, de acordo com nossa percepção, Jesus não foi suficientemente detalhista a respeito da estrutura da igreja, e, por isso, privilegiamos Atos e as epístolas e desprezamos os evangelhos ao tratar desse assunto. Entretanto, é nos ensinamentos de Jesus que encontramos o projeto de igreja que surgiria com o Espírito Santo, projeto que foi observado da maneira mais estrita possível pelos primeiros participantes.

A igreja que Jesus ensinou estava fundamentada na comunhão. Ele glorificou o Pai consumando a obra que lhe foi confiada (fazendo a vontade do Pai) e transmitindo a mesma glória aos seus para que fossem um. Logo, a comunhão (ou união) só é possível na base da vontade de Deus (veja João 17).

Não haverá restauração da igreja se não partirmos do mesmo ponto da igreja primitiva. Tentar imitar a igreja já constituída sem conhecer seu projeto original será sempre uma frustração.

O projeto que Jesus concebeu era um estilo de vida consolidado na comunhão (portanto sob a vontade de Deus), cuja concretização se dá pela família humana, projetando-se desta para a família divina, como sempre ocorreu na História.

Pedro Arruda
Fonte: Revista Impacto

Read more...
Copyright © 2010 WWW.LUGARDEDESCANSO.COM
ROALPEREIRA@LUGARDEDESCANSO.COM

  © Blogger template Webnolia by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP